Qual é a melhor dieta? A ciência tem uma resposta!

Cada vez mais pessoas estão cuidando da saúde e tentando praticar uma alimentação saudável. Porém, é comum encontrar MUITA informação contraditória sobre o que seria uma alimentação saudável.

Se o objetivo for emagrecimento, qual é a melhor dieta segundo a ciência? Será que há uma resposta? SIM!

No site phcuk.org (Public Health Collaboration) há um comparativo de 62 ensaios clínicos randomizados dos resultados entre uma dieta low-fat (baixa gordura) com uma low-carb (baixo carboidrato).

Resultado:

Em 53 low-carb foi superior.
Em 7 low-fat foi superior (sem diferença significativa).
Houve 2 empates.

Se separarmos apenas os estudos que tiveram resultados significativos, o placar é low-carb 31 x 0 low-fat.

Isso você não vê na mídia. 😉

Antes de mudar seu hábito alimentar, procure um especialista que se baseie em ciência.

Fonte: https://goo.gl/yiLUmZ

Uma alimentação low carb high fat (LCHF) pode ajudar na performance da atividade física?

Quando se fala em emagrecer, tratar e prevenir inúmeras doenças, há uma enorme quantidade de estudos de alto nível mostrando a eficácia e segurança de um estilo alimentar com baixo teor de carboidrato . Abaixo listo alguns:

Mas qual seria a relação entre a atividade física e uma alimentação low carb (pouco carboidrato)?

Há uma crença bem difundida na cabeça de muitas pessoas associando o alto consumo de carboidrato com alta performance. Mas será que a má performance está associada a uma dieta restrita em carboidratos?

Será que existe algum estudo (de alto nível) que possa nos auxiliar nessa questão? Sim! 😀

Já vimos que uma dieta cetogênica pode ajudar BASTANTE atletas de ultra resistência. Mas será que existe outro estudo TÃO BOM?

Antes de ver os estudos, é importante sabermos o que pode ajudar a otimizar a performance na atividade física de um modo geral. Para isso, três pontos são importantes:

  • força (músculos são importantes);
  • leveza (eliminar gordura). Então, em vários esportes, quanto mais leve (menos gordura) e mais forte (mais músculo) melhor;
  • resistência.

Agora, podemos voltar às análises.

Este estudo verificou os efeitos de uma dieta cetogênica sobre o metabolismo do exercício e o desempenho físico em ciclistas off-road.

“Pode-se concluir que as dietas de alto teor de gordura, a longo prazo, podem ser favoráveis para os atletas de resistência aeróbia, durante a estação preparatória, quando predominam um alto volume e uma intensidade baixa ou moderada das cargas no processo de treinamento. O treinamento de alto volume em uma dieta cetogênica aumenta o metabolismo da gordura durante o exercício, reduz a massa corporal e o conteúdo de gordura e diminui o prejuízo muscular pós-exercício...”

Este outro estudo analisou a composição corporal e as respostas hormonais a uma dieta restrita em carboidratos.

“O estudo incentivou indivíduos com peso normal a consumir energia adequada para manter o peso corporal durante 6 semanas. O grupo da dieta LCHF (low carb, high fat) diminuiu a massa gorda em média 3,4kg e aumentou a massa magra em média 1,1kg.  Não houve alterações significativas no corpo, composição ou hormônios no grupo controle.”

Mais um estudo: o treinamento de resistência em mulheres com sobrepeso em uma dieta cetogênica mantém massa corporal magra e reduz a gordura corporal.

“Um estudo com 18 mulheres não treinadas, entre 20 e 40 e com sobrepeso mostrou que uma dieta LCHF em combinação com treinamento de resistência durante 10 semanas reduziu o peso corporal e a massa gorda, mantendo a massa magra, enquanto que o treinamento de resistência em combinação com uma dieta regular de carboidratos aumentou a massa magra, mas manteve a massa gorda”.

E sobre o efeito da dieta LCHF no desempenho do exercício de resistência?

É bastante comum nutricionistas esportivos defenderem dietas com alto teor de carboidratos para atletas com o objetivo de garantir glicogênio muscular suficiente durante a prática da atividade física.

Mas o que acontece com o glicogênio em atletas que consomem pouco carboidrato?

Vejamos este estudo que analisou o desempenho de ciclistas de elite numa “rodagem” de 2 horas, divididos em dois grupos: um com LCHF, inclusive tendo feito jejum durante a noite anterior; e outro com a dieta padrão.  Os dois grupos tiveram uma redução significativa no glicogênio muscular do pré ao pós-exercício, no entanto, a taxa de utilização média foi significativamente menor no grupo LCHF. Ou seja, o grupo LCHF utilizou MENOS o glicogênio muscular. Veja gráfico abaixo:

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A longo prazo, a adaptação a uma dieta LCHF produz enormes benefícios metabólicos, incluindo uma maior taxa de oxidação da gordura e taxas mais baixas de oxidação de carboidratos e glicogenólise como visto neste estudo: “Metabolic characteristics of keto-adapted ultra-endurance runners“.

Este outro analisou a resposta metabólica humana quando induzida à cetose associada à prática de atividade intensa em ciclistas bem treinados. Neste estudo, 5 ciclistas bem treinados seguiram uma dieta cetogênica por 4 semanas. Observou-se que houve  uma queda de três vezes na oxidação da glicose (de 15,1 a 5,1 mg / kg / min) e uma redução de quatro vezes no uso de glicogênio muscular (0,61 a 0,13 mmol / kg / min).
O estudo concluiu: “Estes resultados indicam que o exercício de resistência aeróbia por ciclistas bem treinados não foi comprometido por quatro semanas de cetose.”.

Já este outro estudo revelou que os atletas de ultrarresistência que consumiram dietas LCHF durante pelo menos 6 meses alcançaram maior intensidade de pico de exercício suportada por oxidação de gordura do que os atletas na dieta HCLF. Esses atletas adaptados à LCHF também mostraram uma maior taxa de oxidação de gordura (LCHF: 1,54 ± 0,18; HCLF: 0,67 ± 0,14 g / min) e uma menor taxa de oxidação de carboidratos durante o exercício prolongado, com 64% VO2max. 

Este estudo indicou que os atletas de resistência poderiam manter o conteúdo, a utilização e a recuperação normal do glicogênio muscular após a adaptação a longo prazo às dietas LCHF.

Nesses eventos, os atletas adaptados à LCHF podem manter maior intensidade de exercício relativo durante a maior parte da distância, preservando o glicogênio muscular para sprints na fase posterior das competições.

Para finalizar, este estudo revelou que a dieta cetogênica não afeta o desempenho de força em ginastas artísticas de elite.  No resultado, não foram  detectadas diferenças significativas entre a dieta cetogênica e a dieta ocidental em todos os testes de resistência. Porém, foram encontradas diferenças significativas no peso corporal e na composição corporal: após a cetogênica, houve diminuição do peso corporal (de 69,6 ± 7,3 Kg para 68,0 ± 7,5 Kg) e da massa gorda (de 5,3 ± 1,3 Kg para 3,4 ± 0,8 Kg p <0,001), com um aumento não significativo na massa muscular.

Corrida e Low Carb combinam?

Frequentemente recebo perguntas do tipo: “Você corre maratona e ultramaratona comendo pouco carboidrato?“, “Se você come pouco carboidrato, de onde vem sua energia?“, “É possível ter boa performance comendo pouco carboidrato?” e por aí vai…

Bem, já corri algumas maratonas e ultramaratonas consumindo quase nada de carboidrato. Por exemplo, fiz o meu melhor tempo, 2:55:10, na Maratona de Boston, em 2017, consumindo pouco carboidrato; e já corri 100 km consumindo pouco carboidrato. Mas será que eu sou um um caso excepcional? Será que fui modificado geneticamente? Será que sou um caso pra ser estudado?

Vamos lá… Nossos genes levam de 40 mil a 70 mil anos pra se adaptar a algumas condições e o homem evoluiu centenas de milhares de anos comendo low carb, logo, nosso corpo funciona MUITO bem com pouco carboidrato.

A humanidade começou a consumir carboidratos em excesso do período da agricultura pra cá, há menos de 10 mil anos. É bastante tempo, mas não nesse cenário.

No contexto evolutivo é muito fácil entender, mas será que existe algum estudo de alto nível em humanos? Vou te dar uma boa notícia: sim!

O estudo se chama Metabolic characteristics of keto-adapted ultra-endurance runners. Traduzindo: “Características metabólicas de corredores de ultrarresistência adaptados à dieta cetogênica.”

Dieta cetogênica (padrão) é uma dieta com alta restrição de carboidratos, moderada em proteína e rica em gordura. Normalmente, a proporção de ingestão calórica é: 60/70% de gordura, 20/30% de proteína e 5/10% de carboidratos.

Para o estudo, foram recrutados 20 atletas (ultramaratonistas e de iron man) de elite e divididos em 2 grupos. Um grupo de 10 integrantes consumiu uma dieta baixa em carboidratos LC (10% de carboidratos, 19% de proteínas e 70% de gorduras) e o outro consumiu uma dieta rica em carboidratos HC (59% de carboidratos, 14% de proteínas e 25% de gorduras) por um período médio de 20 meses.

Só um detalhe: os ultramaratonistas competiam em provas com distâncias entre 80 e 161 km. E ainda vejo um monte de gente perguntando se é possível correr 5 km sem suplementar carboidrato. 😉

Eles realizaram um teste de exercício máximo e uma corrida de 180 minutos, em 64% do VO2max, em uma esteira para determinar as respostas metabólicas.

Resultados:

oxidação da gordura

A oxidação da gordura foi de 2 a 3 vezes maior no grupo que consumiu pouco carboidrato e ocorreu uma maior porcentagem do VO2max (70,3% no grupo LC e 54,9% no HC). A oxidação média de gordura durante o exercício submáximo foi 59% maior no grupo LC. Isso significa que o grupo LC usou MUITO mais própria a gordura corporal como fonte de energia.

Glicogênio muscular

E sobre o glicogênio muscular? Existe uma falácia enorme de que uma dieta LC consome bastante dos músculos, não é? O estudo mostrou que não houve diferenças significativas no glicogênio muscular em repouso e no nível de depleção após 180 minutos de corrida (- 64% do pré-exercício) e 120 minutos de recuperação (- 36% do pré-exercício).

Como é sabido pelos maratonistas que praticam low carb, aquele “paredão” do km 30 de uma maratona não existe. Claro! Se nós temos uma fonte de energia praticamente inesgotável, que é a própria gordura corporal, por que não utilizá-la de forma eficiente?

A conclusão do estudo foi:

Comparado aos atletas de ultra-resistência altamente treinados que consomem uma dieta de HC, a adaptação de cetogênica a longo prazo resulta em taxas extraordinariamente elevadas de oxidação de gordura, enquanto a utilização de glicogênio muscular e os padrões de repleção durante e após uma corrida de 3 horas são semelhantes.

Fonte: https://goo.gl/MPCiW5

Meia Maratona de Vitória em 360º

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No último domingo 17, fui convidado para comer um delicioso churrasco em Vitória-ES e aproveitei para correr a primeira edição da Meia Maratona. Eita, pera.. acho que foi o contrário. 😉

O ano de 2017 tá sendo massa! Corri a maratona dos mais desejada do mundo, a de Boston, corri pela terceira vez a ultramaratona de 100 km do frio e, de repente apareceu a oportunidade de correr a primeira edição da Meia Maratona de Vitória e me surpreendi!

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A organização foi incrível! Excelente estrutura desde a entrega dos kits até a realização da prova. Não que eu esperasse algo diferente, mas deu pra perceber o quanto a prova foi feita com carinho. Tudo aquilo que nós corredores cobramos estava lá, sabe? Uma prova pensada e realizada por quem é do meio, por quem entende o que é preciso.

Fui pra prova como treino pra a minha 10º maratona que será no próximo dia 1º de outubro. Tinha visto que a altimetria não exigia muito então decidi uma estratégia bacana, correr sem medo. 😛

Claro que corri filmando e fotografando, só que dessa vez o fiz com uma câmera 360º, da mesma forma que fiz em Boston.

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Foram vários vídeos em 360º então criei uma playlist e postei tudo no Youtube. Segue o link: https://goo.gl/QEr3M5

Abaixo o vídeo da minha chegada em 360º:

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A largada foi dada de 6h30 com um belo arco-íris sinalizando que o dia seria incrível! O clima estava bem agradável – segundo o garmin estava 18º -, a vibe incrível e a vontade de explorar correndo os belos lugares capixabas enorme!

Saímos da UFES e passamos por Maruípe, Jucutuquara, Centro, Sambão, Penedo e chegamos na bela Praça do Papa que proporciona uma bela vista!

Se você estiver procurando uma meia maratona bem organizada para fazer tempo e correr por belos lugares, saiba que a Meia de Vitória é uma excelente opção.

E se ainda quiser participar de um churrasco após a prova com uma turma massa, cola na O2 Fit. É só uma dica! 😉

Corre que as inscrições já estão abertas para a edição de 2018!
http://meiamaratonadevitoria.com.br/

Se tudo der certo, farei o possível para estar lá novamente em 2018, só que dessa vez tentarei ir com a família. 🙂

A viagem rendeu uma excelente experiência, novas amizades e um churrasco massa! 🙂

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Resultado da prova:
http://www.chiptiming.com.br/resultados/meiadevitoria2017

Mau Garmin:
https://connect.garmin.com/modern/activity/1982861295

Até a próxima. 😉

 

100 km do frio 2017 | 1º lugar na dupla mista

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No último dia 5 de agosto, tive a incrível oportunidade de correr novamente a ultramaratona de 100 km do Frio.

Foi que, em 2015 corri meus primeiros 100 km solo e em 2016 realizei o Back to Back.

Como já tinha corrido a Maratona das Praias em março e a Maratona de Boston em abril, decidi correr os 100 km em dupla (50 km), afinal, precisaria descansar um pouco, né? 🙂

A minha dupla foi Irla. Essa menina é ousada demais, uai! Só tinha corrido apenas uma maratona (a das praias) e essa seria sua primeira Ultramaratona. Quando a convidei, ela aceitou a loucura de imediato. hahaha

Apesar do nome da prova ser Ultramatona de 100 km do Frio, o grande astro da prova foi o sol. Que calor! A largada para as duplas e quartetos foi dada de  5 horas da manhã e o clima até que estava agradável, cerca de 16ºC.

Nossa estratégia foi simples. Irla correria a primeira metade e eu a segunda. E assim foi.

O problema é que antes de Irla chegar no km 25 o clima já estava em aproximadamente 27ºC. Apesar de algumas intermináveis subidas e o enorme calor, ela manteve um ritmo excelente. Excelente!

Quando eu comecei a correr no segundo trecho, acho que o clima estava acima de 30ºC e a sensação térmica era de que cérebro estava fritando.

Ainda tentei manter um ritmo forte, mas não consegui sustentar por muito tempo, então me esforcei ao máximo pata fazer a primeira metade (25k) fortes e ver o que conseguiria fazer na segunda metade.

Foi difícil. Difícil demais! Porém, o desafio é sempre motivante. Lembrar que Cynthia, Júlia e André (ainda na barriga de Cynthia) estariam me esperando na linha de chegada dava um gás extra!.

No final, após subir e descer tantas vezes e estar com o cérebro assado (quase tostado), cruzamos a linha de chegada em 9 horas, 7 minutos e 25 segundos, Irla e eu conseguimos terminar em primeira colocação na dupla mista. 🙂

Mais uma vez Lula Holanda deu um show na realização do evento. Uma prova que é feita com tanto carinho não teria como dar errado e, ao longo dos anos, a prova só tem crescido! Parabéns, meu presidente!

Essa prova é linda demais! Essa foi a terceira vez que a corri e de longe foi a mais quente. Com belíssimas paisagens e um lindo espírito humano de solidariedade, a prova tem se firmado no calendário daqueles que correm por prazer.

Em quanto eu puder, estarei lá correndo. 😉

É possível correr uma maratona sem carboidrato praticando low carb?

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Quem me acompanha no Instagram (@andreburgos) sabe que pratico uma alimentação low carb high fat, ou seja, pouco carboidrato e muita gordura. Diariamente compartilho minhas refeições e fotos de treinos e provas. Quando as pessoas percebem que corro longas distâncias, quase não consumo carboidrato e como gordura sem medo logo me enchem de perguntas. É claro. Há décadas aprendemos que nosso corpo precisa de carboidrato e precisamos evitar o consumo de gordura. Mas vocês já pesquisaram o que a ciência diz sobre isso? Ou alguém lembra como nossa espécie (o ser humano) evoluiu por mais de 2,5 milhões de anos?

Bem, por mais de 2,5 milhões de anos, o ser humano viveu da caça e coleta. Coletava legumes, folhas, vegetais frutas da estação e comia carne de caça. Na época do paleolítico, não existia a abundância de comida que temos hoje, então é claro que não se comia três vezes ao dia, muito menos a cada três horas. Após dias sem comer, nossos antepassados saíam para caçar e se não tivessem energia para tal, certamente nossa espécie estaria extinta. Concorda? E quando caçavam, a carne gorda era a mais consumida e a magra se dava aos cães. E por que dizem que a gordura faz mal?

Bem, na ciência não existe evidência sobre isso. É verdade. As pesquisas que existem mostram que quem consome gordura tem uma melhor saúde, por exemplo. E todas as pesquisas comparando uma alimentação de baixa gordura versus baixo carboidrato mostram que é muito mais saudável restringir o carboidrato e não a gordura. Já falei um pouco sobre isso aqui => Paleo, low carb e evidências.

Mas para praticarmos atividade física a gente não precisa comer carboidrato? Bem, se isso fosse verdade a gente não existiria hoje. Nossos antepassados tinham uma alimentação com baixo carboidrato, chegavam a passar dias sem se alimentar, mas ainda tinham energia para caçar, fugir de predadores ou apenas andar, já que eram nômades. Eles não eram nenhum pouco sedentários.

Descobri a paleo/low carb em outubro de 2015, pesquisei bastante e, em dezembro, decidi tentar. Minha adaptação foi muito rápida. Em janeiro deste ano, corri a maratona da Disney com pouquísismo carboidrato e me senti ótimo. Em março, corri uma ultramaratona de 50 km com pouquíssimo carboidrato e me senti muito bem, principalmente na recuperação pós-prova. Foi incrível. Em abril, corri uma maratona também com pouco carboidrado e mais uma vez me senti muito bem.

Minha prova alvo em 2016 era a Maratona de Porto Alegre. Tinha o objetivo de conquistar o índice para a maratona de Boston e, para isso, precisava terminar a prova abaixo de 3h10min.

Durante meses continuei com a alimentação low carb high fat e treinando regularmente. Cheguei a fazer treinos longos de 22 km e 28 km sem nenhum carboidrato, consumia apenas água e me sentia muito bem. Não tem segredo. Sem carboidrato nosso corpo utiliza a melhor fonte de energia que possuímos, a gordura.

Geralmente, na semana que antecede uma maratona os corredores consomem mais carboidrato. Hoje eu me pergunto: por que? Já li em algum lugar uma pesquisa mostrando que pessoas que consomem mais carboidratos do que estão acostumadas nos últimos dois dias que antecedem a prova têm uma queda na performance.

Bem… eu ainda estava um pouco inseguro de como seria a maratona pra mim. Não sabia se consumia algum tipo de carboidrato ou não. Decidi seguir o que estava acostumado. Afinal, não teria motivo pra fazer diferente. Minhas refeições continuaram deliciosas e low carb high fat.

No dia da maratona, consumi apenas ovos, queijo e café com óleo de coco no hotel e, minutos antes da prova, comi um pedaço de chocolate 70%.

Apesar de ter levado alguns sachês de mel, não senti necessidade de consumi-los. Me sentia ótimo no frio de quase 0ºC. Nenhum cansaço e bastante disposição.

Passou o km 10, 15, 20, 25 e o meu ritmo continuava forte e constante. E até ali eu só havia consumido um pouco de água apenas quando senti sede.

Perto do km 30 comecei a sentir um pouco de enjoo. Normal. Eu estava num ritmo forte há horas. Quando isso acontece, eu bebo água e logo passa. No km 30, avistei um ponto de hidratação. Quando me aproximei, percebi que na verdade era um ponto de isotônico. Lamentei, mas para evitar o enjoo eu precisava beber algo. Peguei um copo, dei um gole e descartei.

De lá até o final, peguei água em todos os pontos, dava um gole e descartava. Acho que passei por outro ponto de isotônico no km 37/38 e, novamente, peguei um copo, dei um gole e descartei. Esses dois goles foram as únicas coisas com carboidrato que consumi durante as 3:04:42 que precisei para fazer o meu melhor tempo em maratonas e conquistar o índice para a maratona de Boston.

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Terminai bem. Cansado, claro. Me sentia bem, sem fome alguma, mas ainda com sede. Bebi água e chá, afinal o frio estava enorme. 🙂

Ao final da prova, percebi que nosso corpo é incrível! Inteligente o suficiente para usar nossa reserva de energia (gordura) enquanto for preciso e houver estoque suficiente. Nosso corpo não seria tão burro para usar apenas o glicogênio e deixar nossos músculos fracos quando precisamos de energia. Ele fará isso apenas se o ensinarmos a fazê-lo. E o mundo vem ensinando isso há poucas décadas, mesmo sabendo que evoluímos milhões de anos de outra maneira.

Agora entendo um pouco mais meu corpo. Após correr uma maratona com quase zero carboidrato e me sentir ótimo durante toda a prova, deveria fazer outra pergunta: por que dizem que precisamos consumir carboidrato para correr uma maratona?

Abaixo mostro como foram minhas refeições antes da maratona:

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Um cafezinho sem adoçar + um quadradinho (cerca de 1/5) de chocolate 70% no aeroporto de Guarulhos-SP. Três dias antes da prova.
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Almoço no aeroporto de Guarulhos. Três dias antes da prova
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Jantar no Ossip. Uma deliciosa salada. Três dias antes da prova.

 

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Café da manhã. Café puro + ovos + queijo prato + queijo branco + presunto. Dois dias antes da prova.
Almoço 2 dias antes da prova. Salada + verduras + legumes + queijo ralado + azeite + carne.
Almoço dois dias antes da prova: salada + verduras + legumes + queijo ralado + azeite + carne.

 

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Jantar dois dias antes da prova: sopa de cebola + azeite + pimenta + café puro sem adoçar.
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Café da manhã na véspera da prova: ovos + queijo muçarela + queijo branco + cream cheese + café com nata.
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Almoço na véspera da prova: uma taça de vinho tinto + picanha + legumes + azeite.
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Jantar na véspera da rova: alface + tomate + cenoura + brocolis + rúcula + ovos de codorna + palmito + frango frito + azeite.

No dia da prova, consumi algo parecido aos outros cafés da manhã: ovos mexidos com queijo e café com óleo de coco.

A prova foi excelente. Fiz meu melhor tempo (3:04:42) e ainda consegui o índice para a mais tradicional maratona do mundo, a de Boston.

🙂

Receita: Pudim de chocolate low-carb

Conheço muita gente que reclama demais porque comer bem low-carb, é difícil, não dá pra variar, não é gostoso etc.

Faço questão de compartilhar em meu perfil no Instagram (@andreburgos) como é fácil, gostoso e barato comer bem.

Fiz essa receita e a repercussão foi muito boa. Então…

Coisa boa precisa ser compartilhada, né? Então anota aí:

Ingredientes:

3 ovos
200 ml de creme de leite
2 colheres de sopa de cacau em pó
5 colheres de chá de xilitol

Modo de preparo:

Misturei tudo com a ajuda de um mixer, coloquei nas forminhas e levei ao forno a 190º por 25 minutos.

Rendeu 6 porções.

Para a cobertura eu derreti 1 quadradinho de chocolate 85% e misturei com um pouco de manteiga. E só!

Bom apetite. 😉

Maratona de Boston, low carb e sub 3


MUITA gente vem me perguntando como foi minha alimentação antes e durante a Maratona de Boston. Fiz um vídeo contando o “segredo”. 😉

Quem me acompanha sabe que há quase 1 ano e meio eu venho me alimentando de “comida de verdade”, ou seja, priorizo alimentos da natureza e evito ao máximo alimentos industrializados.

Mas por que isso?

Bem, de lá pra cá eu não sinto mais dor de cabeça, rinite, sinusite, alergia, asma, gripe, resfriado, minha disposição no dia-a-dia melhorou, meu sono está muito melhor, a resistência e disposição em treinos e provas tiveram um ganho enorme e a recuperação após treinos e provas é incrível! Ah! Claro que as taxas estão excelentes.

Há alguns meses fiz esse vídeo pra compartilhar essa experiência:

Como falei no primeiro vídeo, me baseio na história evolutiva do homem. Se nossos genes levam de 40 a 70 mil anos pra se adaptarem a uma condição, nosso corpo está plenamente acostumado a lidar com alimentos no qual nossos ancestrais consumiam entre o Paleolítico e o período pré-agricultura, foram mas de 2,5 milhões de anos. E nossos genes ainda não “aprenderam” a lidar com os “alimentos recentes”, são eles: industrializados, farináceos, açucares, óleos vegetais, margarinas etc. E se alguma dúvida ainda persistir, pesquiso por artigos científicos aqui => pubmed.com

Nenhum animal existe para engordar e/ou adoecer. É claro! Procuro me alimentar de comida de verdade com um único objetivo: envelhecer com saúde.

Maratona de Boston 2017 em 360º, a realização de um sonho e a conquista do sub 3h


Eu passaria dias falando sobre essa maratona. De como ela é especial para as cidades que estão no percurso e como isso contagia os maratonistas. Ver crianças, jovens, adultos e idosos nas calçadas para incentivar, acompanhar, ajudar etc. É incrível! Essa é a maratona mais antiga do mundo tirando a maratona olímpica. Em 2017 foi realizada a edição de 121. Fazer parte dessa história me deixa muito orgulhoso.

Foi muito difícil conseguir realizar esse sonho. Desde a Maratona de Porto Alegre em 2016 quando obtive o índice até conseguir juntar dinheiro para conseguir viabilizar. Fiz rifa, recebi doações de amigos, desconhecidos e algumas entidades que abraçaram a causa. Devo MUITO a todos. Muito mesmo. E para retribuir, decidi registrar essa experiência de maneira especial. Através de uma parceria com a 360Fly consegui uma câmera que filma em 360º e em 4k. Obrigado, rapaziada!

 

Para começar a relatar a experiência, veja abaixo o vídeo da chegada em 360º. Após 2 horas, 55 minutos e 10 segundos (meu recorde pessoal) cruzei a linha de chegada transbordando de emoção e segurando as lágrimas. Só uma observação: meu último km da prova foi o mais rápido. Fechei o 42º km em 3’47”.

 

Voltando um pouco… A emoção já começou na confirmação da inscrição. Receber o email da organização aceitando a inscrição fez o coração tremer. 🙂 Mas, quando pegamos o kit e visitamos a Expo, hum… ali a gente percebe que realmente o sonho está se tornando realizado e sente o quanto a organização faz tudo com muito carinho.

Estrutura e organização impecáveis! Não enfrentei fila em nenhum momento. E lembro que foram cerca de 30 mil inscritos! A Expo é enorme! Tem tudo para corredores, desde produtos alimentícios, relógios com gps, cintos de hidratação, suplementos, óculos esportivos,  até o principal: acessórios de corrida!

Claro que fiz um pequeno passeio por lá em 360º. Veja abaixo:

 

É lindo como a cidade vive a maratona. Cerca de dois dias antes do início da Expo, flores e mensagens foram espalhadas pela cidade em memória das vítimas do atentado de 2013.

Como a largada da prova é em Hopkinton, uma cidade que fica a 42 km de Boston, a organização oferece transporte gratuito para lá. Meu curral foi o primeiro, então eu precisaria pegar o transporte até às 6h40 no Boston Common para lá. Precisei pegar o metrô cedo para deixar algumas roupas no guarda volume e entrar no ônibus e seguir para a largada.

 

O transporte nos deixa na Vila dos Atletas onde encontramos TUDO o que precisamos. Banheiros, bebidas quentes e geladas, frutas etc.

 

Lá aguardamos cerca de 1h45 até a largada. Claro que a emoção continua. Já no curral acompanhamos o hino nacional e, após o final dois jatos passaram bem próximos a nós. Os olhos começaram a lacrimejar.

Então foi dada a largada. Confira em 360º:

Não consigo descrever como é emocionante correr essa prova. Milhares de pessoas vão às ruas. Elas são parte da prova. É emocionante demais!

Veja mais alguns vídeos da prova em 360º:

 

Subindo a Heartbreak Hill. Veja em 360º:

 

 

Passando pelo Wellesley College. Veja em 360º:

 

Chegando no km 40 eu já tinha certeza que conseguiria não apenas meu recorde pessoal, mas o tão incrível sub 3. Terminar uma maratona abaixo de 3 horas é algo muito desejado por maratonistas amadores e eu achava que nunca alcançaria essa marca. E ali, logo em Boston, eu consegui. 😀

Depois de tanto esforço para correr essa prova, tudo foi incrível, inesquecível!

Queria escrever MUITO mais, talvez até escreva. Mas, para transmitir de maneira mais fiel a fantástica sensação de correr essa prova, fiz vários vídeos em 360º e os compartilho aqui. Sinceramente espero que esse conteúdo transmita um pouco da emoção que vivi.

O registro do meu Garmin: 

Muito obrigado!

#BeBoston #BostonStrong