Primeira ultramaratona com direito a pódio

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Assim foi a minha primeira ultramaratona. Com número 01 no peito e terceiro lugar no solo masculino. Agora que já contei o final, deixa eu dizer como foi complicado o caminho até aqui.

As dificuldades já começaram na viagem, foram 12 horas de van entre Recife(PE) e Barbalha(CE). Saímos do parque da Jaqueira às 6 horas da manhã e paramos duas vezes para tomarmos café e almoçarmos. Chegamos aproximadamente às 18h para pegar o kit, participar do congresso técnico e jantarmos com todos os participantes.

Fomos pro hotel umas 21h30 e só consegui dormir de 22h30 até 23h30. A ansiedade era enrome. De 3 horas da madrugada eu já estava me arrumando para encontrar com os amigos da Acorja porque sairíamos de 4h15 para o local da largada.acorja

O clima estava muito agradável, acho que estava mais ou menos 18 graus. A largada foi pontualmente às 5 horas. O dia ainda estava escuro quando começamos a correr e, cerca de 2 km depois já estávamos na belíssima trilha na Chapada do Araripe. Ainda tudo escuro e, João Paulo (que me acompanhava) e eu não conseguíamos enxergar nitidez. Correr em trilha já bastante complicado e no escuro a atenção precisa ser muito maior.

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O dia começou a clarear quando estávamos aproximadamente no km 8 da prova, e aos poucos íamos nos encantando mais e mais com a bela trilha que em muitos pontos ainda estava com bastante neblina.

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Depois de correr 12 km na trilha, chegamos em um dos pontos mais delicados da prova e que talvez tenha sido o local que quebrou alguns atletas, principalmente os que competiram na categoria solo. Chegamos numa descida muito forte com piso bastante irregular. Eram pedras meio pontudas e bem espaçadas entre si. Atletas que desceram muito rápido certamente quebraram lá na frente.

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Depois desse longo e difícil trecho, chegamos no asfalto, e partir daí foram aproximadamente 6 km até chegar no km 25, onde era realizado o ponto de troca para as duplas. João Paulo me acompanhou até esse ponto, como ele precisou dar uma parada, continuei só  os últimos 25 km.

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Um pouco antes de chegar na metade da prova, fui informado que eu estava em terceiro lugar, e ali meu objetivo mudou. Eu tinha a intenção de participar da minha primeira ultramaratona apenas para terminá-la bem, e com essa informação, eu queria pelo menos manter a colocação. Quando cheguei no ponto de troca (km 25), fui informado que o primeiro colocado estava muito lento e que se eu mantivesse o ritmo (estava mantendo a média de 4’50″/km) chegaria nele.

Passei o segundo colocado no km 28 e fiquei em primeiro no km 30. Como eu estava com o apoio de Kiko que me acompanhou de bike a partir do km 26, eu não queria parar em nenhum ponto de hidratação, mas os últimos 16 km foram dificílimos.

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Foto de Renato Neves

Mantive a liderança do km 30 ao 37, mas eu sabia que seria muito difícil manter o ritmo naquele final. Piso em barro, lama, pedras, areia, cascalho, cimento, asfalto, com MUITAS subidas fortes, poucas descidas e muito desafio.  Depois desse trecho, que foi o mais difícil da prova, chegamos no asfalto. E foram mais de 2 km com muita subida fortíssima até chegar na entrado do Sítio Pinheiros (local da chegada), onde descemos aproximadamente 800 metros para cruzarmos a linha de chegada.

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Quando cheguei na parte do asfalto, as cãibras eram fortes e a coxa direita estava muito dolorida. Mas, apesar de toda a dor, em nenhum momento pensei em parar ou desistir. Eu só queria em cruzar a linha de chegada e completar meus primeiros 50 km.

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Preciso falar que a sensação de completar a prova foi incrível? Preciso dizer que além de terminá-la, ainda consegui ficar em terceiro foi fantástico? 😛

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A Acorja levou ao pódio 4 atletas, sendo 2 na categoria solo e uma dupla mista. Fui terceiro colocado no solo masculino e Katia foi a primeira colocada no solo feminino.

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Augusto Brito e Amanda ficaram em primeiro na dupla mista.

Independente da colocação, todos os atletas são grandes vencedores por conseguirem vencer seus desafios. Parabéns a todos os participantes.

Depois da prova, veio o momento de curtir e comemorar com a família. Não poderia ser diferente!

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Altimetria

Largamos a 792 metros. No km 3 já estávamos a 906 metros. No km 15 começamos a descer e no 29 estávamos a 421 metros. Do km 32 ao 50, saímos de 444 até 806 metros.

Organização

Apesar de ter sido a primeira edição da prova, Karina e Vitor se empenharam bastante e realizaram uma belíssima prova. Muito bem sinalizada, com pontos de hidratação a cada 5 km com bastante água e isotônico. No km 30 ainda teve uma mesa com comidas, bebidas, frutas etc.

Meu resultado

Conclui a prova em 5:12:39

Colocação: 3º lugar

Garmin: https://connect.garmin.com/modern/activity/732765035

Agradecimentos

Obrigado Cynthia e Júlia por sempre estarem por perto e apoiarem minhas “loucuras”. Certamente as coisas seriam muito mais difíceis se vocês não estivessem comigo. Amo muito vocês.

Valeu, turma da Acorja! Sem os treinos, ensinamentos, conselhos, motivação, parceria e união eu nem seria capaz de correr essa ultra.

Obrigado, Dra. Débora. Sua orientação nutricional foi e está sendo importantíssima na melhora de meu condicionamento e conquista desse resultado.

Obrigado pelo apoio, Kiko. Você não tem ideia do quanto me ajudou.

Obrigado pelas informações, Rochélio, o inominável. Me ajudou bastante no momento de definir a estratégia da prova. 🙂

 

Desafio 50 km da chapada do Araripe

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O Nordeste do Brasil terá mais uma bela e desafiadora prova de longa distância. O desafio de 50 km da Chapada do Araripe.

A região da Chapada do Araripe é um sítio arqueológico que se localiza na divisa dos estados do Ceará, Piauí e Pernambuco, caracteriza-se pelo clima tropical úmido e suas variações térmicas são muito poucas, ficando entre 21º C e 25º C.

A paisagem é incrível! Veja algumas fotos aqui.

A ultramaratona será realizada no dia 28 de março de 2015 e terá duas modalidade, solo (individual) e dupla. A largada será às 5 horas da manhã na Pousada Sítio Pinheiros e a chegada também no mesmo lugar, o que facilita bastante no hora de organizar a hospedagem, Não é? 🙂

Abaixo, o mapa do percurso:

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Depois de correr 2 maratonas em 2014, planejo encarar novos desafios em 2015 e o primeiro será esse, os 50 km individual.

Para mais informações, envie um e-mail para chapadadoararipe_50k@outlook.com.

As inscrições serão realizadas através do site www.sementesdaspistas.com.br. Lá você também pode ler o regulamento.

E aí, vamos nessa? 🙂

Mais dois presentes deixados – #DeixeUmPresente

Como ontem eu não pude fazer a corridinha matinal, então me comprometi a deixar dois presentes no treino de hoje.

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Saí de cada por volta das 5h30 da manhã com destino até o Marco Zero. No começo do percurso, bem perto da minha casa, tem uma praça, e nela um pequeno parque. Lá, numa cadeira do balanço, deixei o primeiro presente e segui o caminho. Mais na frente, numa praça um pouco menor onde geralmente vejo pessoas dormindo no chão em caixas de papelão, deixei o segundo presente. Só que dessa vez não tinha ninguém lá. Eu acho que foi porque havia chovido de madrugada.

Continuei o percurso, seguindo até o centro da cidade. O tempo estava bem nublado, clima agradável e pouquíssimo movimento.

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Na volta, o segundo presente que deixei ainda permanecia no mesmo lugar, mas o primeiro não estava mais lá. A sensação de não encontrar mais o presente é muito bacana. Tenho certeza que está realmente com alguém que precisa bastante.

Hoje, a corridinha foi de 14,8 km com um clima agradável, pouca chuva e dois presentes deixados. Legal essa coisa de unir a atividade física e ajudar o próximo, não é? Na próxima, #DeixeUmPresente você também.

 

Deixe um presente

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No último ano, a corrida me ajudou muito a mudar meu estilo de vida. Eu era sedentário, estava 30 kg acima do peso e tinha pouca disposição para tudo. Em menos de um ano, mudei radicalmente meu estilo de vida. Comecei a me alimentar melhor, emagreci 30 kg, corri 3 meias maratonas, e me tornei uma pessoa mais feliz.

Faço minhas corridas pelas ruas do Recife, e como normalmente corro a partir de 15 km por treino, passo por bastantes ruas e vejo muita coisa triste. Pessoas dormindo em lugares desumanos. Muitas crianças que não têm brinquedos e acabam ocupando seu tempo com o que não deveria. E eu não consigo apenas ignorar essa situação.

Então, como forma de me motivar ainda mais a correr e ajudar crianças por onde eu for, há quatro meses comecei a espalhar “presentes” pela cidade. Em muitos treinos levo comigo um presente e deixo em algum lugar que eu sei que mais cedo ou mais tarde alguém que precise passará por lá. No presente, sempre deixo dois brinquedos e um bilhete escrito:

Correr faz bem. Então por que não espalhar o bem também? Esses brinquedos, deixados por um corredor, são para alguém que precise. Se você precisar deles, pegue-os! Se não precisar, deixe para alguém mais necessitado e, na próxima, #DeixeUmPresente também!

Hoje, pela primeira vez vi uma pessoas muito simples pegar o presente. Confesso que que fiquei emocionado. Meu treino de hoje foi de 15 km, e deixei o presente no cais José Estelita, que fica a mais de 7 km de minha casa. Assim que cheguei no cais, deixei o presente no primeiro banco, fotografei e continuei a corrida. Na volta, assim que passei pelo banco, uma pessoa muito simples estava puxando uma carroça que estava cheia de plástico e papelão, e estava acompanhado por mais duas pessoas. Eles estavam vindo no sentido do presente e quando passei por eles os cumprimentei e continuei meu caminho. Um pouco mais na frente eu parei e comecei a observar. Assim que eles passaram na frente do banco, um deles viu que havia algo lá e foi pegar. Ele levou até os outros dois, e logo viraram para me olhar. Foi aí que sorri, e continuei a corrida. Foi bastante emocionante.

Nesse momento decidi não mais espalhar presentes anonimamente. E quando cheguei em casa, compartilhei essa história no meu perfil no Instagram para que mais pessoas pelo mundo afora também se motivem a espalhar um pouco de “carinho”.

Um ato tão simples como esse pode significar muito para alguém.

Agora eu faço o convite:

#DeixeUmPresente você também.

 

Minha primeira maratona


No dia 18 de maio de 2014, participei da minha primeira maratona, a 31º Maratona Internacional de Porto Alegre. Na semana da corrida, o friozinho na barriga já era constante. Vez ou outra me pegava parado, pensando na prova, sobre como seria, se eu realmente iria conseguir correr os 42,195 km etc. Confesso que estava inseguro, mas bastante motivado. Inseguro porque eu realmente queria correr os 42km sem parar, sem caminhar. O meu máximo tinha sido 34,7km, e ainda com duas paradas para comprar água. 🙂

Minha esposa, minha filha e eu chegamos em Porto Alegre no sábado – véspera da corrida – por volta das 12h20, e fomos direto pegar o kit. Que sensação boa eu senti quando já estava com o chip, número e camisa nas mãos! 🙂

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A largada estava prevista para 7h. Cheguei no local por volta das 6h20 e já tinha muita gente. O dia ainda estava escuro, o clima era de 15ºC e não tinha previsão de chuva. Estava tudo perfeito!

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Poucos minutos antes da largada, eu lembrei de tudo que passei pra chegar até ali. Dos dias que acordei antes das 5h pra correr, das vezes que não deixei de treinar porque estava chovendo ou porque eu estava cansado, das minhas contusões, da disciplina na alimentação, de todo o apoio que eu recebi em casa, das pessoas que abraçaram minha causa e torciam muito por mim, das pessoas que nem me conheciam e me mandavam mensagens de apoio…

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Eu precisava correr. Eu precisava terminar. Não podia desapontar ninguém. Não podia me desapontar. Queria vencer esse desafio e mostrar pra mim mesmo que era possível. E era por isso que eu estava lá.

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Quando passei pela largada, o coração foi a mil! Eu só pensava em guardar energia, manter um pace confortável e terminar vivo. 🙂

Fiz da forma que eu sempre faço. Com calma, fotografando e filmando. Registrando o que podia. Olhava as placas de sinalização quilometro a quilometro. Fui curtindo e pensando: “Estou correndo uma maratona! Foi para isso que eu me esforcei tanto!”.

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Durante a corrida, vez ou outra a emoção tomava conta, o coração acelerava e eu perdia um pouco a concentração. hahahahaha…

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Vários pontos da corrida me emocionaram. Em dois pontos, tiveram banda tocando ao vivo. Achei massa! Outra coisa que me emocionou foi ver as pessoas saindo de casa apenas para aplaudir ou gritar palavras de apoio para os corredores.

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No quilometro 36, ainda me restava muita energia e fôlego, então resolvi acelerar. Não existia mais dor, só vontade de terminar. Dei o meu máximo até o último quilômetro. Quando passei pela chegada, pensei: “Eu consegui!”. Aquele filme todo veio novamente a cabeça, e naquele momento eu tive certeza de que tudo aquilo valeu a pena.

Estava exausto. Muito exausto. Mas a felicidade é muito maior do que qualquer incomodo. Afinal, eu tinha conseguido.

Depois da corrida, nada mais merecido do que aquele descanso, não é? Que nada! Ao final da corrida, fomos almoçar e depois passear com a família. Chegamos de volta em casa às 18h30.

A maratona de Porto Alegre é muito bem organizada e excelente para iniciantes. Com clima bastante agradável e percurso quase todo plano. Estou muito satisfeito, não apenas pelo meu resultado, mas também por ter escolhido a maratona ideal para estrear. Agora, é continuar os treinos e focar na próxima maratona. 🙂

Queria agradecer a todos que abraçaram minha loucura e torceram por mim. Queria agradecer também a Rafael e Tali, que nos receberam muito bem em Porto Alegre e ainda deram uma de guias :). E, principalmente, a minha esposa e filha que me apoiaram todo o tempo. Sem vocês, certamente eu não teria conseguido. Cynthia e Juju, amo muito vocês! Obrigado.

 

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Mais algumas fotos:

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